Governo sofre derrota na CPMI do INSS: oposição aprova quebra de sigilo de Lulinha em manobra regimental
Apesar de ter maioria de sete votos, base aliada levou “olé” da oposição ao forçar votação simbólica de 86 requerimentos.
Na sessão da CPMI do INSS realizada nesta quinta-feira (26), a oposição conseguiu uma vitória expressiva ao aprovar em bloco 86 requerimentos, incluindo o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O governo contava com maioria clara na comissão — nas votações nominais, os placares costumam ficar em torno de 19 a 12 ou 18 a 13 a favor da base governista. No entanto, a estratégia da “tropa de choque” aliada ao Planalto foi votar todos os requerimentos “em globo” (de uma só vez), com a intenção de rejeitá-los coletivamente.
A oposição reagiu pedindo verificação nominal da votação. Usando uma regra do Regimento do Senado (artigo 293, parágrafo V), que exige intervalo mínimo de uma hora entre verificações de votação, os parlamentares contrários ao governo aceleraram os discursos. Isso permitiu que a deliberação dos 86 pedidos ocorresse em votação simbólica, sem contagem individual de votos.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), proclamou a aprovação dos requerimentos ao considerar ter visto maioria favorável. Segundo relatos, ele contabilizou sete votos contra — levando em conta apenas os titulares e desconsiderando suplentes.
A manobra foi vista como um “olé” dado pela oposição à base governista, que acabou surpreendida apesar da vantagem numérica. Após a decisão, deputados da tropa governista iniciaram tumulto no plenário: o deputado Rogério Correia (PT-MG) deu um tapa no rosto do colega Luiz Lima (Novo-RJ) e tentou agredir o próprio presidente da comissão, Carlos Viana (que recentemente concluiu tratamento contra câncer). Os trabalhos foram suspensos em meio à confusão.
Mais tarde, parlamentares da base foram à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pedir a anulação da votação. Eles contestam a manobra regimental e defendem que a aprovação seja invalidada.
A CPMI investiga fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com foco em esquemas que envolvem delações e mensagens interceptadas. O requerimento de quebra de sigilo de Lulinha foi apresentado pelo relator Alfredo Gaspar e tem relação com indícios mencionados por delatores, como pagamentos e conexões com operadores do esquema.







