PL-DF dá “bica” em Ibaneis e mira o Senado: o jogo pesado de Bia Kicis nos bastidores de 2026
Com Ibaneis de saída em março, o PL se antecipa e tenta enquadrar o próximo governo antes mesmo da posse
O clima azedou nos bastidores do Buriti.
O Partido Liberal no Distrito Federal, sob a liderança política da deputada federal Bia Kicis, decidiu sair do campo da lealdade protocolar e entrar no jogo bruto da sucessão de 2026.
O alvo? Uma vaga ao Senado.
O movimento, visto por aliados como uma “bica” política no governador Ibaneis Rocha, revela que a disputa já começou — e não será suave.
O timing não é coincidência
Ibaneis deixa o governo em 28 de março para disputar o Senado.
A partir dali, quem assume é a vice-governadora Celina Leão.
É exatamente nesse vácuo que o PL atua.
Nos bastidores, a leitura é clara:
Ibaneis não pode reagir com força agora. Qualquer confronto direto pode desgastar a própria transição. O capital político dele está concentrado na construção da candidatura ao Senado.
Ou seja, o governador está com margem reduzida para confronto.
E o PL sabe disso.
A estratégia: ocupar espaço antes da posse
O movimento de Bia Kicis não é apenas eleitoral. É estrutural.
O partido quer:
Garantir protagonismo na chapa majoritária. Forçar compromissos prévios da futura governadora. Consolidar espaços estratégicos na máquina pública. Amarrar apoio institucional antes que Celina consolide independência.
Trata-se de uma operação preventiva.
Se Celina assumir fortalecida e autônoma, o PL perde poder de barganha.
Se assumir já enquadrada, o partido vira peça central do próximo ciclo.
O cálculo de risco
Há dois cenários possíveis:
1. Celina absorve o PL e constrói maioria sólida.
Nesse caso, o partido amplia influência e pavimenta a vaga ao Senado.
2. Celina reage e busca alternativa de centro-direita fora do PL.
Aqui, o risco é isolamento.
Mas, no curto prazo, o custo político recai sobre Ibaneis — que precisa sair sem ruptura visível.
O pano de fundo ideológico
O PL aposta na força do eleitorado conservador do DF.
A leitura interna é que:
A vaga ao Senado exige nome de forte identidade ideológica. Bia Kicis mantém base mobilizada. O bolsonarismo no DF segue competitivo.
A movimentação não é improviso.
É cálculo eleitoral.
O silêncio estratégico de Ibaneis
Governadores em reta final evitam brigas abertas.
Ibaneis precisa preservar:
A governabilidade até março. A transição institucional. O apoio de base ampliada para 2026.
Reagir agora significaria antecipar uma guerra que ele talvez prefira travar nas urnas — e não no noticiário.
Bastidores
Na política do DF, fidelidade dura até onde começa a eleição.
O PL decidiu jogar pesado antes mesmo da cadeira mudar de dono.
A pergunta que fica nos bastidores é direta: Celina governará com autonomia ou já assumirá sob tutela partidária?
2026 começou. E começou cedo.






